31 de mar de 2010

De olho (literalmente) no Tricô

Cabe aqui lembrar sobre o poder que o olhar de uma tricoteira pode alcançar, quando avista uma peça - que achamos linda - mas que não temos a receita.
O jeito é olhar de todos os ângulos, todos os detalhes e analisar minunciosamente.
Ver bem os pontos que foram tecidos na peça, a lã utilizada e sua textura. Isto acontece, até mesmo, quando vemos alguém usando um casaco, ou blusa, ou simples cachecol que o olho já detecta que trata-se de uma peça feita à mão. Já ficamos literalmente de olho, quando não puxamos conversa e não resistimos em dizer "mas que linda a tua blusa..." O instinto tricoteiro, nos fala mais alto e não tem como evitar. Só temos que cuidar para que o nosso comentário não pareça invasivo. Se bem que as pessoas geralmente gostam de receber elogios de suas peças, e não se contrariam em dizer onde comprou e quem fez...Afinal pode estar ali uma grande tricoteira e pronto...está formada a conversa, rolando assuntos sobre pontos, dicas e tudo o mais.

E quando achamos aquela peça de tricô à mão, mas sem receita...(e sabe-se lá onde ela está) e nos apaixonamos pela peça e ficamos com uma enorme vontade de tricotá-la? Nos deparamos com um sentimento (nem que seja por alguns instantes) de frustração, por não ter a receita prontinha e certinha....Então, qual é o recurso que nos resta? O olho na foto da receita; a noção dos números de pontos utilizados; a amostra se o que olhamos se confirma e a coragem de começar a tricotar...no ponto e no olho!


Com o tempo, vamos corrigindo receitas erradas só no olhar. Com o tempo fazemos uma peça inteira só com o olhar... A blusa acima é um exemplo de uma receita que não tenho, mas que pode ser bem observada de pertinho e ser tricotada traquilamente.

Olhos de lince, fazemos um Lace. Então, olho vivo no tricô!

25 de mar de 2010

Armadilhas das receitas

As maiores dificuldades que enfrentam as tricoteiras, de fato são as receitas cheias de armadinhas. Me refiro às receitas que se apresentam de forma errada. Isto é um grande problema, quando se está tricotando e os pontos não fecham, a peça fica pequena demais, ou grande demais, o ponto fantasia não corresponde ao modelo que a foto apresenta e por ai vai...


Infelizmente, são as revistas nacionais onde estão os maiores erros nas receitas. Queremos e tentamos valorizar o material nacional, afinal encontram-se modelos bem interessantes nas revitas made in Brasil. Mas como realizar uma receita que de cara percebemos que há algo estranho (e às vezes os erros são grosseiros)? Realmente fica difícil...e isto nos contraria bastante. Mais uma vez, clama-se por um espaço de mais respeito com os que tricotam neste país. O tricô aqui tem o seu público fiel e que muitas vezes improvisa por não haver acessórios no mercado...

Recorremos às revistas importadas, não porque ficamos fazendo tipo, mas as receitas estão corretas, e provalmente passam por um test-drive antes da sua publicação. Isto é sinônimo de respeito ao público que consome os produtos e receitas de tricô, onde muitas vezes irão resultar em peças, que podem gerar lucro e renda para seus realizadores.

Porisso tricoteira, fique literalmente de olho e confie mais em seu olhômetro e feeling, do que em muitas receitas que estão disponíveis por ai, ok?


  • Faça amostras sempre antes de começar a peça;
  • Veja se o fio sugerido na receita é realmente o que corresponde ao tamanho da amostra - Carreiras e número de pontos a serem montados;

  • Olhe detalhadamente a foto da peça que deseja tricotar;

  • Invente em cima da receita, sempre. Dê o seu próprio toque o seu estilo;

  • Se a receita lhe parecer estranha, busque outros recursos. A ajuda de outras tricoteiras são fundamentais, trocando opiniões sobre o modo de confeccionar;

  • E lembre-se: UMA RECEITA ERRADA, NUNCA DARÁ CERTO, POR MAIS QUE VOCÊ DESMANCHE...

  • Não se prenda e não insista nas receitas que estão erradas, pois não é você que não está sabendo tricotar;
  • A Criatividade vale mais do que mil receitas!

A imagem é meramente ilustrativa...(com esta, vou até conferir se está certinha).

24 de mar de 2010

Na Páscoa: Tricô


Uma sugestão para enfeitar a sua Páscoa encontrei disponível em:
Apenas acrescentaria na receita, dentinhos que poderiam ser feitos bordados com lá marfim, para dar um toque a mais nos coelhinhos. Pode-se fazer a família inteira e de várias cores.
Aproveite as sobras de lãs, para fazer estes simpáticos coelhinhos!

E claro: FELIZ PÁSCOA !!!

21 de mar de 2010

Inspirações para o outuno

...e idéias para dias amenos.
Amenos com relação ao frio. Aqui vai algumas sugestões de peças tecidas como mandam os franceses.
Blusas e casaquetos finamente acabados e que não podem faltar no quarda-roupa. Uma bela sugestão para já começar a tricotar. O outono está ai e mãos à obra!






Belos modelos? As receitas estão em *http://picasaweb.google.com/Barbaraknitting/Phildar026#

* Sob responsabilidade de seus divulgadores - álbum público do Picasa.

19 de mar de 2010

O que nos diz uma sábia tricoteira?

Há tempos queria palavras e opiniões de alguém que conhecesse o tricô de forma considerável.
Eis que surgiu em minha teia de pensamentos o nome de Bia Medina.
Bia Medina é uma pessoa muito respeitada no meio da arte de tricotar da qual , gostaria de reservar um espaço em destaque.
Gostaria muito de saber algumas idéias de Bia, com relação ao tricô. Fiz algumas perguntas e ela me respondeu com muita gentileza e objetividade.

Bia Medina é tricoteira desde dos 12 anos de idade, onde aprendeu a fazer sozinha, com a coleção de fascículos Mãos de Outro. Já o Crochê a avó de Bia lhe ensinou, quando tinha 7 anos. É carioca, mas atualmente mora em Campinas há 5 meses. Trabalha como tradutora, mas já foi programadora visual e jornalista.

Vamos às perguntas:

1) Como percebe o tricô hoje? Que espaço ocupa quem faz esta arte?
2) O que não pode faltar para um bom tricô, entre acessórios, dicas e afins?
3) O tricô está mais para um arte gregária ou solitária?
4) O que é in e out no tricô?

1. Percebo que o tricô vem perdendo a imagem preconceituosa de "coisa
de velhinha" para ocupar um espaço maior - como terapia, como
passatempo e como forma de expressão artística (talvez mais no
exterior do que no Brasil). Já o espaço das tricoteiras ainda é
pequeno, quando olhamos a sociedade e a economia brasileiras como um
todo. Tradicionalmente, na nossa fonte cultural portuguesa, o crochê e
o bordado têm mais importância do que o tricô como ocupação feminina,
ao contrário do que acontece, por exemplo, na Grã-Bretanha. Além
disso, aqui no Brasil o trabalho manual é pouco valorizado; devido à
nossa história escravista, tudo que envolva trabalho com as mãos é
considerado serviço menor, coisa de escravo, de servo, de pobre. Mas
isso está mudando, o que é muito bom.

2. O que não pode faltar? Fio e agulhas. Ah, também é bom que não
falte criatividade, senão o tricô fica muito monótono: só copiar é
muito chato.

3. O bom é que pode ser as duas coisas, né? É uma ótima ocupação
meditativa quando se está sozinho, mas também é maravilhoso tricotar
em grupo. A internet permitiu o contato entre tricoteiras antes
absolutamente isoladas. Nunca me esqueço da alegria que senti quando
encontrei a minha primeira lista de crochê, em 1998, ou a primeira
lista de tricô em que me senti bem acolhida, em 2007; a partir daí,
pude falar das coisas que me apaixonam com pessoas que entendiam do
que eu estava falando.

4. Ah, isso de in e out não é comigo. Eu diria que é in fazer o que se
gosta e que é out ter medo do que os outros vão dizer.


*E em homenagem à Bia Medina, aqui está uma imagem que remete aos doces momentos das lições de crochê com sua avó, sendo observada pela atenta neta aprendiz.

E ao estilo de Bia Medina me despeço:

Bjk, btz.