Há tempos queria palavras e opiniões de alguém que conhecesse o tricô de forma considerável.
Eis que surgiu em minha teia de pensamentos o nome de Bia Medina.
Bia Medina é uma pessoa muito respeitada no meio da arte de tricotar da qual , gostaria de reservar um espaço em destaque.
Gostaria muito de saber algumas idéias de Bia, com relação ao tricô. Fiz algumas perguntas e ela me respondeu com muita gentileza e objetividade.
Bia Medina é tricoteira desde dos 12 anos de idade, onde aprendeu a fazer sozinha, com a coleção de fascículos Mãos de Outro. Já o Crochê a avó de Bia lhe ensinou, quando tinha 7 anos. É carioca, mas atualmente mora em Campinas há 5 meses. Trabalha como tradutora, mas já foi programadora visual e jornalista.
Vamos às perguntas:
1) Como percebe o tricô hoje? Que espaço ocupa quem faz esta arte?
2) O que não pode faltar para um bom tricô, entre acessórios, dicas e afins?
3) O tricô está mais para um arte gregária ou solitária?
4) O que é in e out no tricô?
1. Percebo que o tricô vem perdendo a imagem preconceituosa de "coisa
de velhinha" para ocupar um espaço maior - como terapia, como
passatempo e como forma de expressão artística (talvez mais no
exterior do que no Brasil). Já o espaço das tricoteiras ainda é
pequeno, quando olhamos a sociedade e a economia brasileiras como um
todo. Tradicionalmente, na nossa fonte cultural portuguesa, o crochê e
o bordado têm mais importância do que o tricô como ocupação feminina,
ao contrário do que acontece, por exemplo, na Grã-Bretanha. Além
disso, aqui no Brasil o trabalho manual é pouco valorizado; devido à
nossa história escravista, tudo que envolva trabalho com as mãos é
considerado serviço menor, coisa de escravo, de servo, de pobre. Mas
isso está mudando, o que é muito bom.
2. O que não pode faltar? Fio e agulhas. Ah, também é bom que não
falte criatividade, senão o tricô fica muito monótono: só copiar é
muito chato.
3. O bom é que pode ser as duas coisas, né? É uma ótima ocupação
meditativa quando se está sozinho, mas também é maravilhoso tricotar
em grupo. A internet permitiu o contato entre tricoteiras antes
absolutamente isoladas. Nunca me esqueço da alegria que senti quando
encontrei a minha primeira lista de crochê, em 1998, ou a primeira
lista de tricô em que me senti bem acolhida, em 2007; a partir daí,
pude falar das coisas que me apaixonam com pessoas que entendiam do
que eu estava falando.
4. Ah, isso de in e out não é comigo. Eu diria que é in fazer o que se
gosta e que é out ter medo do que os outros vão dizer.

*E em homenagem à Bia Medina, aqui está uma imagem que remete aos doces momentos das lições de crochê com sua avó, sendo observada pela atenta neta aprendiz.
E ao estilo de Bia Medina me despeço:
Bjk, btz.